Dias atrás, alertei aqui para uma data importante para minha cidade natal: o nascimento de Cyro dos Anjos, escritor celebrado e membro da Academia Brasileira de Letras, numa época gloriosa, justamente porque Montes Claros era — e é — a única cidade do interior deste país continental a ter dois de seus filhos, a um só tempo, na Casa de Machado de Assis.
Neste 2026, comemoram-se os 126 anos de nascimento do escritor, autor de obras exponenciais. De fato, ele veio à vida em 5 de outubro de 1906, conquistando lugar de destaque em nossas letras e jornalismo. O historiador Hermes de Paula assinala que seus livros “O Amanuense Belmiro” e “Abdias” alcançaram grande êxito e foram saudados pela crítica, dando relevo e projeção a seu nome, que se inclui no Brasil entre os autênticos autores do seu tempo.
O romance “Abdias”, representa uma continuidade temática em relação ao “O Amanuense Belmiro”, mas revela também uma evolução significativa na forma como o autor aborda os dilemas existenciais de seus personagens. No entanto, enquanto Belmiro é um homem solteiro, melancólico e marcado pela nostalgia da juventude perdida, Abdias é um intelectual de quase quarenta anos, casado e pai de três filhos, que enfrenta a crise da meia-idade ao se apaixonar por uma jovem estudante. Cyro colaborou nos principais jornais de Minas e do Rio, quando capital da República, ocupou importantes cargos na administração pública em secretarias de Estado, tendo serviço também no gabinete do governador. Além do mais, foi diretor da Imprensa Oficial e, depois, nomeado para o Conselho Administrativo do Estado, cuja presidência exerceu.
Findo o Estado Novo instalado por Vargas, Cyro ocupou destacado cargo no Gabinete do Ministro da Justiça, o também mineiro Carlos Luz, sendo posteriormente nomeado para a presidência do IPASE - Previdência e Assistência dos Servidores do Estado. À frente aceitou convite especial e regeu a cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade do México, sediada na capital.
Seu romance “Abdias”, conquistou grande destaque, considerado o Livro do Ano, no gênero ficção, em 1946, pela Academia Brasileira. Aqui nas montanhas, Cyro – dentre outras honrarias – suscitou a ideia, muito bem recebida de dar-se o seu nome ao Concurso 95, da Academia Montes-clarense de Letras, então sob presidência da escritora Yvonne Silveira, de saudosa memória. Foi uma iniciativa de que participaram autores de vários estados, em 1995. Vamos ver agora o que acontece.
Matéria na íntegra: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/manoel-hygino/homenagem-a-cyro-1.1100695
22/01/2026